LANÇAMENTOs Concerto do incrível quarteto comandado pelo genial pianista Cecil Taylor, captado em Paris em 1969, finalmente ganha edição oficial...
Por Fabricio Vieira

Com o título de Fragments: The Complete 1969 Salle Pleyel Concerts, o novo disco traz material que estava guardado nos arquivos do INA (Institut National de l’Audiovisuel). Transferido das originais fitas analógicas, o álbum traz cerca de 2h30 de música, extraídas das duas entradas da banda no palco naquele dia (se o material nunca tinha sido lançado em disco, vale destacar que existe vídeo da apresentação, vindo dos arquivos da ORTF, disponível abaixo). A apresentação que fizeram de tarde é a maior, com cerca de 90 minutos; à noite, o fôlego foi mais centrado, durando uns 50 minutos. Em ambos os concertos, foi executada apenas uma peça sem interrupção, chamada de “Fragments of a Dedication to Duke Ellington” (dessa forma, é na versão em CD que se encontram os shows como nasceram; na versão LP, são fatiados entre as 6 faces dos discos). Esse grupo teve vida curta, tocaram juntos só até 1971, mas agora os generosos registros de 1969 ficam como testemunho de uma fase em que Taylor levava seu free jazz a um pico de energia e liberdade únicos. Editado pelo selo Elemental Music, Fragments: The Complete 1969 Salle Pleyel Concerts sai em CD duplo e LP triplo, com extenso livreto trazendo fotos raras e textos e depoimentos de Andrew Cyrille, Jack DeJohnette, Matthew Shipp, Karen Borca e Phil Freeman. O álbum será oficialmente lançado na próxima semana, durante o Record Store Day. Sem dúvida, já um dos lançamentos mais excitantes do ano.
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*quem assina:
Fabricio Vieira é jornalista e fez Mestrado em
Literatura e Crítica Literária. Escreveu sobre jazz para a Folha de S.Paulo por
alguns anos; foi ainda correspondente do jornal em Buenos Aires. Colaborou
também com publicações como Entre Livros e Jazz.pt, de Lisboa. Nos últimos
anos, tem escrito sobre música e literatura para o Valor Econômico. É autor de
liner notes para os álbuns “Sustain and Run”, de Roscoe Mitchell (Selo
Sesc), “The Hour of the Star”, de Ivo Perelman (Leo Records), e “Live
in Nuremberg”, de Perelman e Matthew Shipp (SMP Records)
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