LANÇAMENTOs O pianista Matthew Shipp brilha em novos títulos em duo, trazendo parcerias bastante antigas e sempre revigoradas, nos oferecendo mais um pouco do fino free impro que tanto admiramos...
Por Fabricio Vieira
Duologues 7:
Distillation
Ivo Perelman &
Matthew Shipp
Squid Note
Poucas duplas devem ter gravado tantos discos em duo quanto Matthew Shipp e Ivo Perelman. Esse diálogo de piano e sax tenor (sempre assim, eles não adicionam nada a mais) alcança o 17º título com este novo registro. A parceria entre o pianista e o saxofonista começou nos anos 90, mais precisamente 30 anos atrás, com “Bendito of Santa Cruz”, gravação de 1996, e se intensificou a partir dos anos 2010. Duologues 7: Distillation é um álbum duplo, tendo sido fruto de duas sessões, uma realizada em 30 de dezembro de 2025 e a outra em 16 de janeiro de 2026, sempre no Park West Studios – as duas sessões, uma formaria cada CD, mas infelizmente a edição é somente digital, soam distintas, mostrando o quanto cada encontro gera música única. O resultado são 19 peças improvisadas que bem ilustram como a intimidade expressiva desses dois artistas atingiu um nível em que a interação flui com espontaneidade inigualável e nunca deixando de entregar momentos de grandes surpresas sonoras.
Zo
Matthew Shipp &
William Parker
ESP-Disk
Em 1993, Matthew Shipp e William Parker faziam parte do David S. Ware Quartet, um dos maiores grupos daqueles tempos. Em paralelo, vinham trabalhando em projetos próprios. E no meio disso tudo, decidiram fazer um registro em duo. Assim, eles entraram no estúdio Seltzer Sound (NYC). A sessão gerou três longas peças improvisadas chamadas “Zo”, que variam de 10 a 14 minutos. Eles resolveram também brincar com um standard, a clássica “Summertime”, que aparece em versão desconstruída de 12 minutos (com Parker empunhando o arco de forma cortante). O álbum seria editado em 1994 pelo selo independente de rock Rise Records. Curiosamente, uma nova edição do registro não tardaria em aparecer, e, mais uma vez, por um selo de rock alternativo, o 2.13.61 Records, de Henry Rollins, em 1997. Três décadas se passaram e essas duas edições em CD estão fora de catálogo há muito. Mas eis que a ESP-Disk resolveu voltar a este material, oferecendo não apenas uma nova edição em CD, mas uma inédita versão em LP. O resgate de um brilhante registro do free jazz na ebulição criativa desses dois gênios da música livre.
A Whole System Of
Matthew Shipp &
William Parker
Tao Forms
Em meio ao aguardado relançamento de “Zo”, Matthew Shipp e William Parker resolveram voltar a testar o formato duo (que, vale lembrar, rendeu também o potente registro “DNA”, de 1999). Em 25 de junho de 2025, a dupla entrou em um dos quartéis generais da música criativa do Brooklyn novaiorquino, o Park West Studios, sob os cuidados de Jim Clouse. E assim nasceu este novo A Whole System Of. São seis frescas improvisadas peças, que vão da mais breve “Momenta”, com seus pouco mais de 4 minutos, a “Wave Light non Form”, com quase 10, totalizando pouco mais de 47 minutos da encantatória música que eles são mestres em gestar. “To have had a friendship and musical relationship with William that has lasted from the time I moved to New York to now has been more than a dream come true”, diz Shipp. A Whole System Of sai oficialmente no próximo dia 6 de novembro, em versão limitada em CD e LP (500 cópias). Shipp e Parker vão também se apresentar em duo, celebrando esses lançamentos, no dia 4 de dezembro no Roulette Intermedium (NYC). Para nós que não poderemos presenciar esse prometedor concerto, haverá um muito bem-vindo livestream.
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*quem assina:
Fabricio Vieira é jornalista e fez Mestrado em Letras
(Literatura e Crítica Literária). Escreveu sobre jazz para a Folha de S.Paulo
por alguns anos; foi ainda correspondente do jornal em Buenos Aires. Colaborou
também com publicações como Entre Livros e Jazz.pt, de Lisboa. Nos últimos
anos, tem escrito sobre música e literatura para o Valor Econômico. É autor de
liner notes para os álbuns “Sustain and Run”, de Roscoe Mitchell (Selo
Sesc), “The Hour of the Star”, de Ivo Perelman (Leo Records), e “Live
in Nuremberg”, de Perelman e Matthew Shipp (SMP Records)



